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NOTÍCIA
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A recente
decisão de apresentar um relatório do STJ incriminando
o MST gerou polêmica na sociedade. De um lado, os conservadores
demoinstram que boa parte do Ministério Público
Estadual e da Justiça do RS ainda luta por posições
retrogadas. De outro, a sociedade reage e se une em torno
de personalidades que rechaçam a criminalização
dos movimentos populares.
Movimentos
populares
Cidadãos
e cidadãs, escritores, parlamentares, ativistas, professores
e entidades demonstram apoio ao MST e repudiam criminalização
aos movimentos sociais e o relatório do Conselho Superior
do MP do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira.
Entre
centenas de pessoas, assinaram o manifesto Leandro Konder,
Ruy Braga, Paulo Arantes, Carlos Walter Porto-Gonçalves,
Atilio Boron, Frei Betto, Roberto Leher, Isabel Loureiro,
Ivana Jinkings (Boitempo), Marcos Barbosa de Oliveira (Faculdade
de Educação da USP), Caio Toledo (Unicamp),
Paulo Silveira (Universidade de São Paulo), Reinaldo
A. Carcanholo (vice-presidente da SEPLA, Helder Gomes (membro
da Sociedad Latinoamericana de Economía Política
y Pensamiento Crítico), Clifford Andrew Cliff Welch
, Pedro Ivo de Souza Batista (p/Coordenação
da Rede Brasileira de Ecossocialistas).
Abaixo,
algumas manifestações de apoio.
PERSONALIDADES
"Um
abraço de muitos braços para o MST, amigos elogiados
pelo ódio dos inimigos".
Eduardo
Galeano
Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral de Justiça
do Estado do Rio Grande do Sul:
Tomei conhecimento, estarrecido, de que o Ministério
Público do Estado pretende ingressar com ação
judicial para obter a dissolução do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST. Aflige-me verificar
que essa ilustre instituição, ao invés
de abrir um inquérito civil público para apurar
os vários atos de corrupção e de improbidade
administrativa, que teriam ocorrido na esfera máxima
do governo estadual, segundo ampla divulgação
dada pelos meios de comunicação de massa, prefira
cerrar fileiras em defesa dos interesses próprios de
latifundiários e empresas transnacionais de agronegócio,
com manifesto desprezo pelos direitos fundamentais declarados
em nossa Constituição.
Apresento a Vossa Excelência as expressões de
minha elevada consideração.
Fábio Konder Comparato
Professor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade
de São Paulo
'Tomando
conhecimento através de órgãos de comunicação
social europeus da intensificação da campanha
em curso contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra,
promovida por forças reacionárias com a cumplicidade
ativa do Poder Judiciário, venho transmitir-vos a minha
irrestrita solidariedade. É particularmente chocante
e atentatória de direitos respeitados em regimes democráticos
o relatório do Conselho Superior do Ministério
Publico do Rio Grande do Sul que pede a 'dissolução'
do MST, iniciativa que já motivou oito ações
judiciais contra o vosso Movimento , notadamente a proibição
de marchas , autorização de despejos e deslocamento
de acampamentos. Perante essa ofensiva, não se compreende
nos meios progressistas portugueses o silêncio do governo
Lula. A passividade nestes dias de um governo que assumiu
compromissos com os trabalhadores brasileiros está
contribuindo para piorar a sua imagem entre intelectuais europeus
de diferentes quadrantes políticos. Venho, portanto,
companheiros, reiterar-vos a minha solidariedade ,certo de
que o MST ,fiel ao seu programa e ideais, saberá enfrentar
e derrotar as forças retrogradas que se mobilizam contra
ele. Saudações fraternais."
Miguel
Urbano Rodrigues - escritor e jornalista, ex-deputado no Parlamento
Português e ex- deputado nas Assembléias Parlamentares
do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental
"Quero
deixar aqui uma mensagem de solidariedade militante ao MST
e aos demais movimentos que compõem a Via Campesina
em nosso país. As ações diretas realizadas
por esses movimentos têm, como já disseram antes
outros intelectuais orgânicos, uma missão civilizatória,
pois não fossem suas ocupações, nem se
falaria em Reforma Agrária, perpetuando a injustiça
social no campo. Hoje, MST, Via Campesina e demais movimentos
questionam profundamente o atual modelo concentrador de renda
e de terra e degradador do meio ambiente, fundado no agronegócio
exportador. Cabe, portanto, não só manifestar
nossa solidariedade, mas protestar contra todo o processo
de criminalização não só do MST,
mas de todos os movimentos que lutam por uma sociedade socialmente
justa e igualitária, culturalmente diversa, ecologicamente
sustentável e radicalmente democrática."
João
Alfredo Telles Melo, advogado, professor universitário,
ex-deputado federal.
'Infeliz
da sociedade na qual um movimento como o dos Trabalhadores
Sem Terra precisa solicitar aos cidadãos o apoio à
sua luta em defesa da reforma agrária, que a própria
Constituição de 1988 reconheceu como imprescindível
e necessária! Triste democracia esta que assiste impassível
o horror da tortura e assassinato de três jovens negros
pobres do Rio de Janeiro, por encomenda de alguns membros
do Exército Brasileiro, enquanto aceita a criminalização
de trabalhadores que lutam pela construção de
uma sociedade justa e decente!'
Heloísa
Fernandes, socióloga, professora da Universidade de
São Paulo
"A
luta do MST é legitima, legal e Constitucional, reivindicando
direitos previstos na Constituição Federal de
1988, como a função social da propriedade e
a reforma agrária. Além disso, o MST têm
enfrentado a violência no campo e lutado por Justiça
e contra a impunidade, bandeiras que o Ministério Público
deveria defender ao invés de perseguir e criminalizar
o Movimento. É inaceitável essa ação
do Ministério Público! O MP deveria propor ações
contra os latifundiários, às milícias
e os jagunços e não contra o MST. Quantas ações
o Ministério Público entrou defendendo a reforma
agrária, o direito à terra e à moradia
e contra a desigualdade social? O Ministério Público
do Rio Grande do Sul está se prestando a um papel deplorável,
visando perseguir e criminalizar os movimentos sociais e os
defensores de direitos humanos. As entidades de direitos humanos
repudiam essa ação do Ministério Público
do Rio Grande do Sul".
Ariel
de Castro Alves, advogado, coordenador da seção
brasileira da ACAT (Ação dos Cristãos
para a Abolição da Tortura) e coordenador em
São Paulo do Movimento Nacional de Direitos Humanos
'Foi
com pesar de recebi esta informação da iniciativa
do Ministério Público Estadual do Rio Grande
do Sul tentar minar as ações do MST e, por conseguinte,
criminalizar os movimentos sociais e suas lideranças.
O direito à livre manifestação do pensamento
e de organização está garantido na nossa
Constituição de 1988 -- Constituição
Cidadã--. Foram muitos anos de luta contra a ditadura
militar até conseguirmos esses direitos. Ameaças
desse tipo não são novas. Na década de
60, Francisco Julião , líder das Ligas Camponesas,
sofreu na pele as pressões dos latifundiários
e das oligarquias da época: foi preso, torturado e
exilado.Outros camponeses que defendiam as suas idéias,
idem. Morreu sem realizar o seu sonho que era fazer a Reforma
Agrária no Brasil.É inadmissível em um
Estado Democrático de Direito que propostas como essas,
advindas de um Órgão que têm como objetivo
fiscalizar o cumprimento da Lei e defender a sociedade, venha
criar um movimento contra as liberdades democráticas
e de organização social. O meu total repúdio
à isso. MST JÁ, AGORA E PARA SEMPRE!!!
Lúcio
França, diretor do Grupo Tortura Nunca Mais-SP, membro
Consultor da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP,
conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana
de São Paulo
'Excelentíssimo
Sr. Procurador Geral da Justiça Dr. Mauro Renner é
com extrema preocupação que tomamos conhecimento
da decisão do Conselho Superior do Ministério
Público do Rio Grande do Sul que pede em relatório
a 'dissolução' do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST). Consideramos a iniciativa absurda,
discricionária, abusiva e atentatória contra
o direito das pessoas manifestarem-se. Seguindo-se essa lógica,
estaríamos ainda em um país escravocrata, pois
a luta dos insurretos contra a escravidão seria considerada
ilegal e passível de punição. As conquistas
da sociedade brasileira devem muito ao movimento social que
assume um caráter civilizatório na medida em
que contribui para superar uma sociedade extremamente desigual
e injusta para com os mais pobres. Acreditamos que o Ministério
Público está fora de sintonia com os princípios
democráticos e esperamos que a decisao seja revista'
Cesar
Sanson, CEPAT
ENTIDADES
Não
bastasse a criminalização simbólica dos
movimentos sociais cotidianamente por parte da mídia,
assistimos agora, entre outras ações, à
tentativa de criminalização oficial do MST por
parte do Ministério Público do Rio Grande do
Sul ao propor a dissolução do movimento.
Repudiamos
essas ações do Estado, que retrocedem aos tempos
da ditadura. As medidas de repressão ao movimento agora
sequer se relacionam com a questão fundiária.
Em documentos produzidos pelo MP-RS e pelo serviço
de inteligência da Brigada Militar gaúcha vemos
que a repressão se justifica com divergências
políticas e preconceito ideológico.
Para
embasar suas ações repressivas, os promotores
destacaram que o MST é anti-capitalista e esquerdista.
Mencionaram que o movimento se inspira nas obras de Florestan
Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes, José Marti,
Che Guevara e Anton Makarenko. Denunciam que o movimento é
'político' e que seu objetivo é o socialismo.
Afinal, em um estado democrático de direito, tão
defendido pela Justiça brasileira, qual a relevância
jurídica destas citações em documentos
oficiais?
Os
mentores desta ação orquestrada, articulados
dentro da estrutura de Estado, são explícitos
quanto aos seus objetivos: dissolução do MST,
quebrar a espinha dorsal do movimento.
A
liberdade política, o direito de ir e vir, a liberdade
de expressão e manifestação estão
sendo atacados no Rio Grande do Sul com a criminalização
de lideranças, uso da violência para dispersar
manifestações, proibição de marchas,
proibição de qualquer deslocamento de famílias
acampadas, além da destruição de outros
acampamentos, incluindo posto de saúde e escola.
Para
nós, a ação reacionária se torna
uma afronta quando, em um país com uma imensa dívida
social e educacional, a força do Estado é usada
para destruir uma escola de acampamento, ao invés de
proteger e contribuir com aqueles que ele historicamente relega.
Entendemos
que sem a atuação do MST em seus mais de 20
anos de existência, a reforma agrária no Brasil
estaria ainda mais atrasada do que hoje e que o que se conquistou
até aqui foi graças à legítima
pressão da população organizada por movimentos
como o MST.
Como
coletivo que luta pela democratização da comunicação,
sabemos que a mais nefasta repressão começa
por sufocar as idéias, que os mais nefastos conservadores
tentam abolir até as possibilidades de idealização
daqueles que querem mudanças sociais. A partir daí
utilizam toda força do aparato repressivo para impor
o silêncio. Por isso, nos esforçamos para alertar
a sociedade brasileira sobre esta forte ofensiva conservadora
e manifestamos o nosso total apoio e solidariedade ao MST.
Intervozes
- Coletivo Brasil de Comunicação Social
'Sabemos que a Constituição de 1988 outorgou
ao Ministério Público a competência para
a defesa do Estado Democrático de Direito, contudo
não cabe a seus membros o papel de, em nome de toda
a sociedade brasileira, expressar opniões distorcidas
sobre o direito de organização do povo brasileiro.
O fato de alguns membros do MP discordarem da atuação
do MST não lhes dá o direito de fazer pronunciamentos
conservadores em nome de toda a sociedade. A luta dos pobres
desse país, que pela organização dos
movimentos populares, foram e, ainda são, fundamentais
para a consolidação da democracia, não
pode ser ultrajada e ameaçada como está sendo
feito pelo parquet do Rio Grande do Sul. Existem fatos mais
relevantes a serem apurados pelo MP, como a compra de terras
pela Stora Enzo em faixa de frontera, do que exercer perseguições
sobre movimentos sociais.Nesta mesma mensagem, prestamos solidarieadade
a luta do Movimento dos Sem Terra, com o qual nos alinhamos,
em milhões, em defesa da liberdade de expressão
e de organização popular.'
Centro
Acadêmico da Faculdade de Direito da UFF/RJ
PARLAMENTARES
"Dentro
do sistema democrático, o MST é um dos baluartes
que garante o direito de ir e vir, o direito à terra,
o direito à liberdade. Esse Movimento, inclusive, recebeu
um prêmio das mãos do rei da Bélgica por
ser uma organização que defende a vida, que
defende a paz, que defende a cidadania, mas, infelizmente,
aqui no Brasil, é considerado por algumas autoridades,
principalmente do Rio Grande do Sul, como marginal e fora
da lei. Eles usufruem do direito, garantido pela Constituição,
de lutar, inclusive, contra as leis prejudicam o povo e do
direito de lutar para que a lei seja cumprida, como é
o caso da Reforma Agrária. Lutam para que os direitos
humanos sejam respeitados. Fazer, como muitos no Rio Grande
do Sul querem fazer, é deixar a ditadura militar com
vergonha, por que estão conseguindo ser piores".
Deputado
Federal Adão Pretto (PT/RS)
'O
MST é a expressão concreta e real do direito
de livre organização que está assegurado
na Constituição. As entidades deste País
podem e devem ser estimuladas dentro do Estado Democrático
de Direito. Tentar descaracterizar essa conquista da cidadania,
essa conquista do exercício dos direitos civis que
estão assegurados aos cidadãos brasileiros,
é atentar contra direitos básicos que estão
garantidos na Constituição, como o direito de
livre organização. O MST é a expressão
mais legítima e mais profunda desse nível de
organização que nós temos no nosso País
e que não é apenas referência para o Brasil,
é um movimento que é referência para a
América Latina e para o mundo de organização
e de luta de um caso concreto que é o acesso à
terra e, portanto, o direito à vida. Para a manutenção
do Estado Democrático de Direito é fundamental
que nós tenhamos a garantia que as pessoas possam livremente
se manifestar, de livremente se organizar, de colocar seus
pontos de vista, de ter liberdade de expressão e ter
liberdade de colocar alternativas para se ter uma sociedade
melhor. O MST traz consigo uma análise e uma luta em
torno de questões que são fundamentais para
o nosso povo que é o direito a ter dignidade, liberdade,
acesso à terra - quando a nossa constituição
manda que a terra cumpra uma função social.
O MST luta para que este mandamento constitucional seja respeitado
e por isso é importante para a democracia brasileira
a sua existência e ação. São eles
que vêm garantido que avancemos cada vez mais na democratização
da terra e na soberania alimentar. Toda liberdade de organização
ao MST, todo respeito à luta e à forma de fazer
com que a Constituição seja cumprida e toda
solidariedade àqueles que enfrentam a qualquer tentativa
de cerceamento do livre direito, garantido na Constituição,
de se organizar.'
Deputado
Federal Iran Barbosa (PT/SE)
"Não
aceitamos a criminalização da luta pela terra.
O MST é um importante instrumento para que a função
social da propriedade, consagrada na constituição
de 1988, seja efetivamente respeitada. Os avanços da
reforma agrária que ocorreram no Brasil, poucos e limitados
em relação às necessidades, só
aconteceram pela ação dos movimentos sociais
como o MST."
Luciana
Genro - deputada federal do PSOL - líder da bancada
na Câmara
'Neste
momento em que novamente se pretende criminalizar o Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra e suas lideranças, quero
registrar meu apoio a este Movimento e seus valorosos militantes.
Entendo que a atuação do MST é de fundamental
importância para a vida democrática do nosso
País. Não fossem suas reivindicações,
de que outra forma nos lembraríamos de que pertencemos
a uma das sociedades mais desiguais e injustas do planeta?
Não fossem os acampamentos e as caminhadas não
nos lembraríamos de que a tão necessária
Reforma Agrária ainda é uma realidade distante'.
DR.
ROSINHA Deputado Federal (PT-PR)
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