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ARTIGOS
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Franklin
Cunha
Recente texto de leitor de ZH, levou-me às seguintes
considerações. Impressiona-me, primeiro, tanto
no referido texto como na imprensa em geral, os equivocados
informes demográficos expostos sem quaisquer bases
fáticas. Aléxis de Tocqueville, em 1835, tinha
uma visão mais ampla e correta do que a de certos cronistas
atuais. Dizia ele em A Democracia na América que três
países dominariam a política e a economia mundiais
no século 20: Estados Unidos, China e Rússia.
Errou - em parte - no último porque não pôde
prever alguns imprevistos históricos deletérios.
Acertou nos dois primeiros baseado principalmente em dados
demográficos. Dizia Tocqueville que países despovoados
exercem escassa influência internacional e os que têm
altas concentrações demográficas não
só impõem mais respeito como suas densas populações
pressionam os governantes a executar reformas e políticas
distributivas as quais capilarizam a riqueza, possibilitam
o consumo e movimentam a economia. Não há, atualmente,
nenhum país rico que não tenha altas densidades
demográficas (cerca de 300 habitantes/km²),confrontadas
com as escassas populações (20/ km²) da
maioria dos países do Terceiro Mundo.
E estes mesmos ricos, diante das baixas taxas de natalidade,com
as conseqüentes escassez de jovens e excesso de idosos,
estão estimulando fortemente a procriação.
Inclusive o Japão que, alarmado com a perspectiva de
ver dizimada sua população de 130 milhões
de hoje para 70 milhões em 2080, está incentivando
a fertilidade das japonesas. País este que - à
semelhança da maioria dos países prósperos
- tem superfície exígua, apinhada de gente,
sem recursos naturais e contradiz as teses de controle populacional
receitadas para nosso imenso território, riquíssimo
em todos os tipos de energia, em commodities e com um enorme
vazio demográfico,(18 hab./km²).
Um outro grave equívoco de interpretação
sociológica é o de atribuir aos pobres a origem
de todos os males da nação. Trata-se de uma
interpretação elitista, até com odores
fascistóides, própria de uma minoria possuidora
da maior parte da renda nacional, a justificar num ato de
contrição culposa, as graves injustiças
sociais, divulgando através de seus áulicos
representantes certas desinformações como as
de que os pobres - e só os pobres - são marginais
delinqüentes e criminosos. A eficiente atuação
da Polícia Federal, no entanto, ultimamente, tem demonstrado
que os maiores infratores financeiros, enfim os verdadeiros
marginais das leis, usurpadores e delinqüentes econômicos,
estão sendo desalojados das colunas sociais e colocados
nas páginas policiais.
Franklin
Cunha é médico e escritor
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