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Em
dezembro de 1998, o militar aposentado Marcelo Paixão
de Araújo confessou à revista Veja ter torturado
cerca de 30 pessoas. Na entrevista, Marcelo revelou como
torturava os presos do 12º Regimento de Infantaria do
Exército em Belo Horizonte(MG), onde serviu entre
1968 e 1971. O local ficou
conhecido como um dos principais centros da repressão
na capital mineira.
Nove
deputados federais protocolaram na Procuradoria-Geral da
República, dia
3 de dezembro, uma representação contra Marcelo
Paixão de Araújo, ex-tenente
do Exército de Minas Gerais e torturador confesso.
Subscrevem o documento os
seguintes parlamentares: Paulo Teixeira (PT-SP), Antonio
Carlos Biscaia
(PT-RJ), Chico Alencar (PSol-RJ), Iriny Lopes (PT-ES), Janete
Pietá (PT-SP),
Jô Moraes (PCdoB-MG), Luiz Couto (PT-PB), Luiza Erundina
(PSB-SP) e Pedro
Wilson (PT-GO). Além de encaminhar a representação,
o grupo teve audiência
com o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando
de Sousa, para tratar
do tema. Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), esta iniciativa
pode
estimular as vítimas da ditadura militar a apresentarem
denúncias contra
outros torturadores espalhados pelo país.
"A tortura é um crime contra a humanidade e
não há prescrição para isso.
Além de cobrar a responsabilização civil
e penal do torturador, o que
contribui para o combate à impunidade e à injustiça
e fortalece as bases da
nossa democracia, a ação pode fazer com que
as pessoas que sofreram e ainda
hoje sofrem esse tipo de violência denunciem os responsáveis
por tais atos,
para que esse tipo de prática seja superado de uma
vez por todas na
sociedade brasileira", afirma o deputado, autor da iniciativa.
A
representação tem base nas competências
constitucionais do Ministério
Público, inscritas no Art. 129 da Constituição
Federal, e no Art. 27 do
Código Penal e do Art. 6º da Lei 7.347, de 24
de julho de 1985. A peça
correrá na Procuradoria da República em Minas
Gerais, onde está domiciliado
o alvo da ação.
Em
dezembro de 1998, o militar aposentado Marcelo Paixão
de Araújo confessou à
revista Veja, em reportagem de Alexandre Oltramari, ter torturado
cerca de
30 pessoas. Na entrevista, Marcelo revelou como torturava
os presos do 12º Regimento de Infantaria do Exército
em Belo Horizonte(MG), onde serviu entre
1968 e 1971. O local ficou conhecido como um dos principais
centros da
repressão na capital mineira. Após a publicação
da reportagem, Oltramari foi
detido arbitrariamente, a pedido de Marcelo Paixão.
Sua prisão consta no
Relatório de Violência contra Jornalistas da
Federação Nacional dos
Jornalistas (FENAJ) de 1998. Os parlamentares solicitam ao
MP Federal que
adote as medidas cabíveis voltadas a identificar cada
um dos crimes
cometidos por Marcelo Paixão durante o período
de 1968 a 1971, bem como a
responsabilização civil e criminal do ex-tenente.
Outra
medida requerida é investigar se alguma das
vítimas do torturador teve
direito à indenização pelos crimes da
ditadura. Em caso positivo, a
representação propõe que a União
deve ser ressarcida por Marcelo Paixão
pelos gastos que teve em função dos crimes
por ele cometidos. Vale registrar
que Marcelo é herdeiro de uma das maiores fortunas
de Minas Gerais (Banco
Mercantil, Minas-Brasil Seguradora, entre outras empresas).
O documento dos
parlamentares cita a Convenção de Haia, de
1907, que definiu o conceito de
crime contra a humanidade. O Brasil ratificou tal documento
em 02/01/1914 e
o promulgou por meio do Decreto 10.719, de 04/02/1914. Logo,
desde então,
admite os princípios de direito internacional como
fonte normativa e
compromete-se com a sua observância e aplicação.
Redação
- Carta Maior
Conferência Nacional de Direitos Humanos
No dia 10 de dezembro, será celebrado o 60° aniversário
da Declaração
Universal dos Direitos Humanos. Cinco dias depois, inicia,
em Brasília, a XI
Conferência Nacional de Direitos Humanos, que contará com
a participação de
1.200 delegados e delegadas, parte eleita nas 27 unidades
da federação e
outra parte indicada pelo poder público, além
de 300 observadores e
convidados atuantes no campo dos direitos humanos. Organizações
da sociedade
civil, como o grupo Tortura Nunca Mais, o Fórum de
Entidades Nacionais de
Direitos Humanos (FENDH), o Movimento Nacional de Direitos
Humanos (MNDH), a
Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entre
outras, têm cobrado medidas
do poder público para que seja garantido o direito à memória
e à verdade,
bem como a abertura do processo legal contra os torturadores
da ditadura e o
cumprimento das devidas punições.

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