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No
governo do primeiro ex-sindicalista a chegar à Presidência
da República no Brasil, os sindicatos viram seu número
de filiados diminuir no ano passado, pela primeira vez desde
2003. A Pnad 2007 mostrou recuo de 3,3% na quantidade de sindicalizados
no País no governo do ex-líder metalúrgico
Luiz Inácio Lula da Silva. Eram 16,594 milhões
em 2006 e caíram para 16,039 milhões no ano
passado - uma perda de 555 mil trabalhadores filiados. Em
2007 - quando a economia permaneceu fortemente aquecida, o
emprego voltou a crescer e 80% das categorias fecharam acordos
salariais com ganhos reais nos vencimentos -, 17,7% da força
de trabalho era sindicalizada, ante 18,6% no ano anterior.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), Eduardo Nunes, ainda é cedo para dizer se houve
mais que um fenômeno estatístico.
Mas
a pesquisadora Maria Celina D'Araújo, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), uma estudiosa do sindicalismo,
não o recebeu com surpresa. "Em períodos
de crescimento econômico, as taxas de sindicalização
geralmente caem", explicou ."Chegamos a ter 25%
de sindicalização no fim dos anos 70 e início
dos 80, que foram momentos de muita dificuldade no País."
Segundo a pesquisadora, porém, a redução
na proporção de sindicalizados no governo Lula
não significa diminuição do poder sindical.
Ao contrário, o sindicalismo se fortaleceu, embora
de outra maneira.
Mesmo
com a redução do ano passado, a taxa de sindicalização
em 2007 ainda foi maior do que nos governos Itamar Franco
e Fernando Henrique Cardoso, quando não chegou a 17%.
Na série histórica do IBGE, a menor taxa de
sindicalização desde 1992 foi registrada em
1998 (15,9%), e a maior, em 2002 (16,8%), ambas no governo
FHC. A partir de então, nos quatro anos seguintes,
no governo Lula, a trajetória foi de crescimento: 2003
(17,7%), 2004 (18%), 2005 (18,3%) e 2006 (18,6%). A queda
de 2007, para 17,6%, foi a primeira do atual governo.
A
pesquisadora ressalva que, embora as taxas de sindicalização
no Brasil estejam em queda, no governo Lula o sindicalismo
se fortaleceu, por meio da legalização das centrais
sindicais, reconhecidas na Lei 11.648/2008 - um poder, para
ela, "realmente inédito".
"Elas têm muita legitimidade, passaram a ser reconhecidas,
a receber recursos do imposto sindical, a ter poder de criar
sindicatos e são os principais interlocutores",
disse Maria Celina. "O poder se transferiu da base para
a cúpula. A representação sindical está
mais forte não pelo número, mas pela forma de
organização."

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