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especial
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por
Marcelo Dorneles Coelho
Jair
Krische e Sônia Biehler são dois lutadores
de uma causa grandiosa. Fazer com que a Declaração Universal
dos Direitos do Homem, que completa neste 10 de dezembro seis décadas,
ganhe total concretude no Brasil e na América do Sul. O primeiro atua
como presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande
do Sul, que surgiu nos anos 60. Apenas em 1979, conquistaria a formalização
jurídica, já em tempos de abertura política. O
Instituto de Acesso à Justiça, organizado
por Sônia, é bem mais recente. Foi fundado em
2002 com a missão de se dedicar à efetivação
dos direitos fundamentais da população social
e economicamente vulnerável. Busca um atendimento
integral, jurídico e psicossocial, promovendo a dignidade
humana como objetivo maior.
Pessoalmente
e por e-mail, o jornalista Marcelo Dorneles Coelho conversou
com ambos sobre a importância da Declaração
Universal dos Direitos do Homem, e temas históricos
a ela relacionados.
Jair
Krische explica que a Assembléia Geral das
Nações Unidas aprovou por unanimidade em Paris
um trabalho que começou desde o final de 1945, quando
a Segunda Guerra Mundial acabou. “Eleanor Roosevelt,
já viúva do presidente norte-americano Franklin,
tomou a peito o processo. Nos últimos meses a chamada
guerra fria começou a influenciar, determinando inclusive
que ela negociasse diretamente com a delegação
russa. O curioso é que na Era Kruschev a União
Soviética usou o documento como referência várias
vezes, defendendo o desarmamento”. Jair também
ressalta a participação do intelectual brasileiro
Austragéselo de Ataíde na redação
do documento.
Sônia enfatiza que ela disparou “uma trajetória
histórica de lutas”. Acrescenta que os pactos
internacionais dos direitos civis e políticos e econômicos,
sociais e culturais, assim como a Convenção
de Direitos Econômicos da OEA, na segunda metade da
década de 60, tiveram diretamente a ver com o texto
aprovado pela ONU em 1948.
Os
dois ativistas coincidem na visão do texto acima
de tudo como uma “carta de intenções”.
Até porque, “se influenciou muitas convenções,
os direitos das mulheres, dos indígenas, não
previu sanções”, lembra Jair. Ele coloca
o período aberto na América Latina pelo golpe
militar de 1964 no Brasil como o pior para os direitos humanos
no Terceiro Mundo. E recorda que a ditadura expandiu a Doutrina
de Segurança Nacional para toda a região. Sônia
acredita que a situação melhorou desde o final
do regime de exceção, inclusive, pelas forças
de resistência que ele gerou.
E
ambos lamentam a insensibilidade social para as condições
desumanas que vivem os presidiários. Uma prova até mesmo
de insensatez da opinião pública, uma vez que
não havendo prisão perpétua, uma hora
os detentos vão ter que se reintegrar e certamente “o
inferno em que são jogados não ajudará na
ressocialização”, sintetiza Jair.

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