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especial
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Por
José Emanuel Gomes de Mattos

O
tema é polêmico, ainda não encontrou a
ressonância merecida no Congresso, mas com a união
dos principais sindicatos e entidades, o barco poderá
andar. São signatários do encontro:Conselho
Federal e Regional de Psicologia/RS, Fórum Nacional
pela Democratização da Comunicação
(FNDC), Campanha Ética na TV, Federação
Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Jornalistas
do RS, Sindicato dos Psicólogos do RS, Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB/RS), Associação Brasileira de
Rádios Comunitárias (Amarc/Conrad), Central
Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Sindicato dos Telefônicos
(Sinttel/RS), Canal Comunitário POA TV, Alice/Jornal
Boca de Rua, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - Ilê
Mulher, Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação
Social (Enecos), Federação da Alimentação
do RS, DISTBRASIL, Conlutas e SIMPA.
Celso
Schröder (Fenaj/FNDC), Maria Helena Weber (UFRGS), a
mediadora Dagmar Camargo (Conrad), Pedrinho Guareschi (PUC)
e Osvaldo Biz (PUC/RS), palestrantes do primeiro painel: Reestruturação
do Sistema x Controle Público
O
primeiro painel teria a ex-prefeita de São Paulo e
deputada federal, Luiza Erundina (PSB), que no Congresso é
titular da importante e nevrálgica "Comissão
de Ciência e Tecnologia, Comunicação e
Informática", defensora do tema que mediaria:
"Reestruturação do Sistema e Controle Público".
Doente, a deputada Erundina foi substituída na função
por Dagmar Camargo, da Conrad.
Em
sua intervenção, Pedrinho Guareschi, mestre
da PUC, citou o exemplo positivo da participação
dos cidadãos na BBC, principal estatal pública
da Inglaterra, tem o conteúdo decidido pela população.
"Quando houve debate a respeito de haver espaço
para programas religiosos - e foi aprovado."
Osvaldo
Biz, também mestre na PUC, abordou a respeito de "Leitura
crítica da mídia: desafios e perspectivas".
Pontuou sua fala com slides. Alguns registros:
"Através
da TV o mundo que chega é editado, já com uma
visão construída sob determinado ângulo.
Por isso, é fundamental a formação do
cidadão que saiba fazer uma leitura crítica.
É necessário que o leitor conheça o processos
de construção da informação. Os
meios de comunicação são fascinantes
e preocupantes ao mesmo tempo: são simples, fáceis,
mas não ingênuos." E advertiu que é
estreita a relação entre os donos do capital
e da mídia.
Maria
Helena Weber, da UFRGS, abordou a influência da mídia
na política, ao referir três novelas que a Globo
exibiu simultâneas à eleição de
Collor. "Agora, em ‘A Favorita’ desqualificam
a política através de um corrupto", constata.
"O
que é o interesse público quando se trabalha
em comunicação?", propõe, ao pregar
que esse debate seja transportado para dentro das universidades.
E alegou: "Não é o que a mídia faz
por nós, mas o que nós fazemos com a mídia".
Celso
Schröder, coordenador geral do Fórum Nacional
pela Democratização da Comunicação/FNDC,
destacou que o assunto já faz parte da agenda nacional,
tanto na dos empresários como dos políticos.
Mas advertiu que a discussão no Congresso tem sido
sempre adiada: "Há 30 projetos engavetados",
denunciou.
Schröder
constata que, a partir dos anos 90 deixou de haver distinção
entre telecomunicação e comunicação.
"Há uma crise enorme no atual modelo que ameaça
os donos, os poderosos, esses senhores detentores do monopólio".
Destacou que todos os atuais escândalos têm por
trás a questão das teles. E citou a Internet
libertária, multiplicadora, decisiva na última
eleição da Espanha.
Antônio
Hohlfeldt (Intercom), Roseli Gofmann (CFP), o mediador Juan
Sanchez (Fittel), Ricardo Moretzsohn (Campanha Ética
na TV) e José Luiz Sóter (Abraço), os
palestrantes do Segundo Painel, intitulado: "Conteúdo
Cidadão"
José
Luis Sóter, das rádios comunitárias,
enfocou a respeito do conteúdo gerado pela verticalização.
"Há uma discussão ampla sobre a tecnologia
na comunicação, porém discute-se o padrão
tecnológico e não seus conteúdos."
Ricardo
Maretzsohn relatou os avanços da Campanha "Quem
financia a baixaria é contra a cidadania". Fez
questão de salientar que não é censura,
é controle social, tanto que foi criada tendo por base
os estatutos legais, entre eles a Constituição,
o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto
do Idoso, a Declaração Universal dos Direitos
do Homem, o Código do Direito do Consumidor e as convenções
internacionais assinadas pelo Brasil. A conclusão do
trabalho de comunicar as infrações aos Direitos
Humanos gerou até agora 35 mil denúncias fundamentadas,
resposta positiva de anunciantes, o que determinou a mudança
na grade e no conteúdo das emissoras e a portaria de
nº 1220, do Ministério da Justiça, sobre
a classificação indicativa de programas.
Roseli
Gofmann, do Conselho Federal de Psicologia, advertiu para
um dado no mínimo alarmante: 90% da TV fundamenta a
educação da criança, que assiste em média
de 4 a 8 horas por dia. "O dano à educação
e à informação da criança é
irreparável, pois são seres que contemplam,
repetem e fazem dele o hábito". Ela aponta exemplos
positivos dos países mais evoluídos no debate
desta questão e que já proíbem publicidade
voltadas às crianças em qualquer horário.
A
respeito de como obter resultados no Brasil, a fórmula,
segundo Roseli, é simples: "Fazer política
é vida, mobilização é vida. Só
estamos realmente vivos quando participamos politicamente.
E, ao lembrar o resultado obtido pelo "Movimento Diretas
Já", conclamou: "A militância de rua
é insubstituível".
Antônio
Hohlfeldt representou a Intercom - Sociedade Brasileira de
Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Com
a experiência de quem já fez de tudo na vida
- inclusive governar o Rio Grande - convidou os participantes
a refletir "se estamos fazendo tudo o que deveríamos
fazer para convencer a sociedade sobre a necessidade da discussão
dos conteúdos dos meios de comunicação".
Valério
Brittos (Unisinos), o mediador José Carlos Torves (Fenaj)
e Pedro Osório (Unisinos/FNDC), os palestrantes do
Terceira Painel: "Convergência"
José
Carlos Torves, do Departamento de Mobilização
da Fenaj, mediou o painel "Convergência".
Ele resumiu sua intervenção ao que considera
essencial em todo o processo que iniciou com a Pré-Conferência
Nacional de Comunicação:
-
Essa discussão é fundamental para o Brasil e
deve ser feita com toda a sociedade civil e não em
gabinetes fechados como tem ocorrido até agora.
Pedro
Osório (Unisinos/FNDC) pregou: "A sociedade precisa
estar capacitada para dominar a comunicação.
Se não nos apropriamos das novas formas de mídia
é mais difícil compreender e tomar decisões
frente às corporações".
-
Se não houver um debate sério, organizado, que
envolva sindicatos, partidos e instituições,
por todos os meios, enfim, não conquistaremos nossos
objetivos.
Já
o professor Valério Brittos (Unisinos) teme um novo
ciclo de sucateamento da TV Pública. "As motivações
e as conseqüências sabemos quais são",
advertiu. Para ele, apesar da mudança de paradigma
tecnológico, continuamos com um gargalo midiático,
que é muito mais acentuado na educação
e na cultura.
No
final, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, José
Nunes, saudou o auditório lotado, "o que significa
que começamos a discussão com o pé direito".
A
frase estampada nas frente das camisas distribuídas
aos participantes do "Movimento Pró-Conferência
Nacional de Comunicação/RS: início da
mobilização". Na parte de trás das
camisas consta a relação das entidades, sindicatos
e associações e federações que
integram a "Comissão Estadual Pró-Conferência
Nacional de Comunicação" www.protoconferencia.com.br.
O
"Correio do Povo" abriu espaço, segunda-feira,
na página 21 da Geral, e noticiou o debate do Movimento
Pró Conferência Nacional de Comunicação
Em
resumo, o Plenarinho da Assembléia serviu, das 9 horas
às 18h, para os presentes tomarem conhecimento das
dificuldades iniciais que se terá para organizar a
"Primeira Conferência Nacional de Comunicação".
Aparentemente, o governo federal não tem interesse
no assunto, muito menos a maioria dos que integram as duas
Casas do Congresso Nacional, informou Celso Schröder.
Seja como for valeu, pois toda a caminhada começa com
seu primeiro passo. *
*
Deve se destacar que o ideário de Daniel Hertz, fundador
do Fórum Nacional pela Democratização
da Comunicação, foi destacado em diversas intervenções.

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