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O portal da ONG foi lançado no Salão Nobre da
Faculdade de Direito da UFRGS para um público aproximado
de 40 pessoas. Após exposição sobre o
conteúdo desta fundamental ferramenta de comunicação,
pelos jornalistas responsáveis Marcelo Dorneles Coelho
e Alexandre Costa, o professor da Faculdade de Economia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Schmidt,
abordou a gestão coletiva e o papel da economia solidária
na democratização das relações
de produção, processo decisivo para a conquista
de uma ordem social mais justa.
Schmidt, que é um pesquisador do tema, contando com
uma equipe de apoio de estudantes para desenvolver projetos,
foi realista ao enfocar os parâmetros da economia solidária
no Brasil. “Com sua renda de 17 reais per capita, em
média, no nosso país, ela ainda é uma
economia da miséria”, disparou. E acrescentou
que este conjunto de atividades só poderá sobreviver
com suporte do Estado, sendo necessárias políticas
afirmativas. “Um governo poderia fazer a opção
de priorizar este tipo de trabalho coletivo na hora das compras
públicas”, exemplificou o professor. Se considerarmos
que, historicamente, o capitalismo industrial brasileiro resultou
em grande parte da intervenção do Estado, menos
ainda a economia solidária poderia prescindir dela,
em uma época de globalização.

“É
preciso desenvolver metodologias de pesquisa e gestão
que impulsionem a economia solidária, e seus protagonistas
devem se ver como parte da amplitude dos movimentos sociais.
Vejo nela a possibilidade de criar uma cultura de auto-gestão
dos próprios trabalhadores, tornando-os capazes de
dirigir as empresas”, explicou o ex-candidato a reitor
da UFRGS. E de maneira otimista, concluiu que as experiências
protagonizadas coletivamente possuem reservas de criatividade
e produtividade que o capital não consegue alcançar.
“Um caminho para a igualdade, com liberdade e democracia”,
em síntese.
Problemáticas jurídicas
O professor da Faculdade de Direito da UFRGS, Domingos Silveira,
elogiou o “lançamento público de uma ferramenta
de disputa na batalha da informação, pois se
trata de uma mercadoria que também precisa levar à
reflexão de longo prazo”.
Domingos lembrou que a Constituição Brasileira
adotou como princípio a função social
da propriedade. A economia solidária tem relação
direta com ela. Porém, “vivemos em um tempo no
qual o consumo é exaltado como tradução
mais completa da felicidade e da liberdade. Este é
um conceito que escraviza, e do qual é preciso se libertar”,
acrescentou o jurista. O professor acrescentou, entretanto,
que tal posicionamento não impede que os pensadores
comprometidos com o mundo do trabalho reconheçam que
a economia solidária precisa de maior impulso, viabilidade
e rentabilidade.
O advogado do Movimento dos Sem-Terra, Jacques Alfonsín,
começou a palestra afirmando que a economia no Direito
remete ao estudo da propriedade, em quase todas as situações.
“A propriedade privada, como núcleo, paradigma
interpretativo para toda lei e sentença”, explicitou.

Mostrando como valores de quem possui o poder econômico
influenciam a dinâmica e os nexos entre o conjunto das
atividades produtivas e a esfera jurídica, o advogado
recordou como a idéia de que é preciso sempre
mais e melhor, sob o prisma econômico, leva ao domínio
da terra pelo latifúndio. Acrescentou, sem meias-palavras,
que “o pobre, com direito violado, é credor do
Estado. O sistema pode nos levar a esquecer que a pobreza
viola direitos fundamentais.
Envolve moral e ética. O Direito não desce ao
coração de modo que as relações
sociais sejam humanizadas. No Brasil, a lei não passa
pelo sentimento e dignidade da pessoa”.
Alfonsín prosseguiu, colocando que todo bem produzido
resulta de uma relação social de respeito àquela
dignidade ou de exploração. “Há
parlamentares que ignoram os 75 bilhões de reais doados
aos latifundiários, através do perdão
de dívidas e outros mecanismos, mas se preocupam com
o dinheiro minguado que vai para as organizações
dos sem-terra”, disparou.
E sem medo de provocar polêmica, o advogado mencionou
o fato de um artigo do Código Civil prever que o objeto
pertencente a outrem pode ser destruído quando existe
perigo iminente para a vida. E as faltas de casa e comida
se enquadram nesta situação.

O
vice-presidente da ONG, Bruno Costa, valorizou a dimensão
“subversiva” de apoiar a economia solidária,
na construção de um mundo melhor, convidando,
juntamente com o presidente, Rogério Coelho, os presentes
para debaterem as questões colocadas degustando os
produtos da Reforma Agrária. Alimentos e suco de uva
produzidos em assentamentos só receberam elogios, ao
final do evento que teve a concepção e organização
da responsável por projetos da DIST, Dagmar Camargo.

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