Para
compreender esta história, é preciso que o leitor
entenda o sentido da expressão “Quinta Coluna“.
O termo era usado para se referir a grupos clandestinos que
trabalham dentro de um país ou região, ajudando
a invasão armada promovida por um outro país
em caso de guerra internacional, ou facção rival
no caso de uma guerra civil. Por extensão, o termo
é usado para designar todo aquele que auxilia a ação
de forasteiros, mesmo quando não há previsão
de invasão.
A
origem da expressão remonta a Emílio Mola Vidal,
general nacionalista espanhol que atuou na Guerra Civil Espanhola.
Quando quatro de suas colunas marchavam rumo a Madri, ele
se referiu aos militares madrilenhos que o apoiavam como "quinta
coluna". No final dos anos 30, quando o líder
fascista espanhol Francisco Franco preparava-se para marchar
sobre Madri com quatro colunas, o general Quepo de Llano disse:
"A quinta-coluna está esperando para saudar-nos
dentro da cidade." Pela primeira vez, o mundo ouvia a
palavra fatídica — "quinta-coluna".
O termo ganhou força no curso da Segunda Guerra Mundial,
denominando aqueles que apoiavam a invasão nazista,
tal como aconteceu com parte dos alemães que habitavam
nos Sudetos.
A
ação de uma quinta coluna não se dá
no plano puramente militar. Assim como os demais partícipes
de uma guerra, os elementos quinta-colunistas agem por meio
da sabotagem e da difusão de boatos. Em outras palavras,
pode-se dizer que a força da quinta coluna reside tanto
na possiblidade de "atacar de dentro", como na capacidade
de desmobilizar uma eventual reação à
agressão que se intenta.
Dagmar
Camargo conta que ao encontrar um raro livro sobre a 5ª
Coluna, começou a ler sobre o tema e a relacioná-lo
à vida dos avós. “Existe um texto com
as determinações enviadas à Associação
dos Cartórios de registro civil da Alemanha para criar
e justificar o termo ARIANO, onde só seriam merecedores
da confiança do Estado e filiação no
PNSA – Partido Nacional Socialista Alemão - aqueles
com registro de‘puro sangue’ ariano”, conta
Dagmar. O texto diz que:“De acordo com os resultados
obtidos com a doutrina das raças, foi criado o princípio
superior denominado de Ariano e com isso ficou congregado
como unidade racial do sangue alemão (...). É
descendente ariano todo aquele que está isento de influências
estranhas ao sangue alemão. Como estranho aqui se deverá
compreender o sangue judeu, cigano, asiático ou africano,
autóctone australiano e americano (ameríndios)...”.
Em
1935, a Frente de Trabalho Alemão só aceitava
arianos e se estes fossem casados ou viessem a casar com não
arianas não seriam aceitos. “Portanto, meu avô
jamais se enquadraria no conceito nazista de 5ª coluna,
pois era casado com uma negra e morava no Brasil desde muito
antes da 2ª Guerra e do nazismo de Hitler”, diz
Dagmar.
Em
1932 foi fundado o núcleo do PNS e em 1933 o mesmo
iniciou o envio de cartas para a Central do partido na Alemanha
denunciando empresários que não eram fieis ao
Reich por não se filiarem ao PNS, acusando-os de anti-nazistas
numa campanha de descrédito. “Um rompimento de
relações entre os dois, levou Ervino Germano
a entregar cópias das cartas denúncias ao Sr.
Beno Mentz em troca de quantia em dinheiro. Alberto Bins ao
saber que seu funcionário era o autor o demitiu. O
caso levou a uma briga na sede do partido onde os dois foram
expulsos da agremiação hitlerista, 35 foram
presos, Ervino fugiu a bordo do vapor Itatinga. e o caso foi
então parar na delegacia do chefe de polícia
do RS Cel. Aureliano da Silva Py iniciou as investigações
e veio a escrever e publicar o livro em 1942: A 5ª Coluna
no Brasil, A Conspiração NAZI no Rio Grande
do Sul. Ed. Globo, POA”, diz Dagmar.
Boicote comercial e social
Eram criadas associações de firmas teuto-brasileiras
que faziam investigações de caráter político
nos meios comerciais do Brasil. A sede em Porto Alegre era
na firma Frederico Mentz & Cia. Plínio Brasil Milano
era então Delegado da DOPS (Delegacia de Ordem Política
e Social) e Osvaldo Aranha era Ministro do Exterior, ambos
citados pelo Cel. Py, como investigadores da conspiração
NAZI envolvendo até mesmo um diretor da Varig e o chefe
do sindicato Condor, o cônsul alemão de Porto
Alegre e o vice-cônsul, o comandante do vapor Rio Grande,
diretores de Associações germânicas, escolas
e igrejas evangélicas.
Intervencionismo
germânico
Em
27 de agosto de 1939, o Correio do povo publicou reportagem
sobre o “boycott” no comércio do fumo confirmado
pelo Sr. Cristiano Torres da firma C. Torres & Cia.
Selecionamos
um trecho da carta escrita ao Ministro Osvaldo Aranha:
“A
pretexto do que chama de ‘troca direta’, condicionam
a compra de produtos nossos à venda de artigos de fabricação
alemã. Estes são faturados pelos preços
dos mercados internacionais, e os nossos são aceitos
por preços muito superiores aos vigentes. Negócio
que seria vantajoso para o país, se não encobrisse
manobras de graves conseqüências. O arame farpado
(p/campos de concentração) cotado pelo preço
de mercado era trocado pelo fumo alemão a título
de permuta, com uma majoração de 28,6% sobre
as ofertas normais. Essa margem de lucro permite ao beneficiado
fazer concorrência simultaneamente aos compradores de
fumo e importadores de arame, sendo estendido a todos os negócios
que interessam à Alemanha e ameaça de ruína
o comércio que vem sofrendo a concorrência desleal
dos que se encontram ao serviço do regime alemão”.
Rádio
Alemã de Ondas Curtas
Cartas
eram enviadas pela “Reichs – Rundiunk” Rádio
Alemã de Ondas Curtas, ouvida pelos conterrâneos,
onde havia um “Programa do Brasil” impresso, enviado
pelo correio ou através do consulado, àqueles
que o solicitavam, além de mensagens de aniversário
e outras respostas a cartas remetidas pelos teuto-brasileiros
à emissora em Berlim. Havia no Brasil na época
800 mil alemães, sendo 30 mil natos e 1120 escolas
alemãs ensinando na língua “materna”
como diziam, ou da pátria mãe. As declarações
do Kohen Von Cossel em carta escrita em 7 de setembro de 1935,
além disto, dizia que dois mil alemães eram
partidários do PNSA (Partido Nacional Socialista Alemão)
de Hitler. Esta pesquisa que era enviada ao Brasil (1932/39)
em resposta às cartas dos ouvintes revela a intenção
de saber onde havia postos de comunicação (telégrafo
e rádios) e localizá-los com precisão.
Sobre
o PNSA
É
preciso deixar claro que este partido nacionalista de Hitler
não tinha nada de socialista em sua ideologia e o termo
servia apenas para fazê-lo chegar ao poder, e para a
propaganda nazista atrair as massas de proletários
alemães que estavam se organizando com os comunistas
internacionalistas soviéticos.
Segundo
Wilhelm Reich em seu livro “Psicologia de Massas do
Fascismo” citando um trecho da tese de Hitler no congresso
do PNSA, em Stettin - Hugenberg, sobre a necessidade de um
“capitalismo nacional”:
“Estou
convencido de que os banqueiros internacionais compreenderão
em breve que a Alemanha será um lugar seguro para investir,
com uma taxa de juros de 3% para os créditos”.
Adolf Hitler
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