Rádio remonta a história de alemão naturalizado que foi acusado
de integrar a 5ª Coluna


por Alexandre Costa



especial

 

 

 

Para compreender esta história, é preciso que o leitor entenda o sentido da expressão “Quinta Coluna“. O termo era usado para se referir a grupos clandestinos que trabalham dentro de um país ou região, ajudando a invasão armada promovida por um outro país em caso de guerra internacional, ou facção rival no caso de uma guerra civil. Por extensão, o termo é usado para designar todo aquele que auxilia a ação de forasteiros, mesmo quando não há previsão de invasão.

A origem da expressão remonta a Emílio Mola Vidal, general nacionalista espanhol que atuou na Guerra Civil Espanhola. Quando quatro de suas colunas marchavam rumo a Madri, ele se referiu aos militares madrilenhos que o apoiavam como "quinta coluna". No final dos anos 30, quando o líder fascista espanhol Francisco Franco preparava-se para marchar sobre Madri com quatro colunas, o general Quepo de Llano disse: "A quinta-coluna está esperando para saudar-nos dentro da cidade." Pela primeira vez, o mundo ouvia a palavra fatídica — "quinta-coluna". O termo ganhou força no curso da Segunda Guerra Mundial, denominando aqueles que apoiavam a invasão nazista, tal como aconteceu com parte dos alemães que habitavam nos Sudetos.

A ação de uma quinta coluna não se dá no plano puramente militar. Assim como os demais partícipes de uma guerra, os elementos quinta-colunistas agem por meio da sabotagem e da difusão de boatos. Em outras palavras, pode-se dizer que a força da quinta coluna reside tanto na possiblidade de "atacar de dentro", como na capacidade de desmobilizar uma eventual reação à agressão que se intenta.

Dagmar Camargo conta que ao encontrar um raro livro sobre a 5ª Coluna, começou a ler sobre o tema e a relacioná-lo à vida dos avós. “Existe um texto com as determinações enviadas à Associação dos Cartórios de registro civil da Alemanha para criar e justificar o termo ARIANO, onde só seriam merecedores da confiança do Estado e filiação no PNSA – Partido Nacional Socialista Alemão - aqueles com registro de‘puro sangue’ ariano”, conta Dagmar. O texto diz que:“De acordo com os resultados obtidos com a doutrina das raças, foi criado o princípio superior denominado de Ariano e com isso ficou congregado como unidade racial do sangue alemão (...). É descendente ariano todo aquele que está isento de influências estranhas ao sangue alemão. Como estranho aqui se deverá compreender o sangue judeu, cigano, asiático ou africano, autóctone australiano e americano (ameríndios)...”.

Em 1935, a Frente de Trabalho Alemão só aceitava arianos e se estes fossem casados ou viessem a casar com não arianas não seriam aceitos. “Portanto, meu avô jamais se enquadraria no conceito nazista de 5ª coluna, pois era casado com uma negra e morava no Brasil desde muito antes da 2ª Guerra e do nazismo de Hitler”, diz Dagmar.

Em 1932 foi fundado o núcleo do PNS e em 1933 o mesmo iniciou o envio de cartas para a Central do partido na Alemanha denunciando empresários que não eram fieis ao Reich por não se filiarem ao PNS, acusando-os de anti-nazistas numa campanha de descrédito. “Um rompimento de relações entre os dois, levou Ervino Germano a entregar cópias das cartas denúncias ao Sr. Beno Mentz em troca de quantia em dinheiro. Alberto Bins ao saber que seu funcionário era o autor o demitiu. O caso levou a uma briga na sede do partido onde os dois foram expulsos da agremiação hitlerista, 35 foram presos, Ervino fugiu a bordo do vapor Itatinga. e o caso foi então parar na delegacia do chefe de polícia do RS Cel. Aureliano da Silva Py iniciou as investigações e veio a escrever e publicar o livro em 1942: A 5ª Coluna no Brasil, A Conspiração NAZI no Rio Grande do Sul. Ed. Globo, POA”, diz Dagmar.

Boicote comercial e social


Eram criadas associações de firmas teuto-brasileiras que faziam investigações de caráter político nos meios comerciais do Brasil. A sede em Porto Alegre era na firma Frederico Mentz & Cia. Plínio Brasil Milano era então Delegado da DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) e Osvaldo Aranha era Ministro do Exterior, ambos citados pelo Cel. Py, como investigadores da conspiração NAZI envolvendo até mesmo um diretor da Varig e o chefe do sindicato Condor, o cônsul alemão de Porto Alegre e o vice-cônsul, o comandante do vapor Rio Grande, diretores de Associações germânicas, escolas e igrejas evangélicas.

Intervencionismo germânico

Em 27 de agosto de 1939, o Correio do povo publicou reportagem sobre o “boycott” no comércio do fumo confirmado pelo Sr. Cristiano Torres da firma C. Torres & Cia.

Selecionamos um trecho da carta escrita ao Ministro Osvaldo Aranha:

“A pretexto do que chama de ‘troca direta’, condicionam a compra de produtos nossos à venda de artigos de fabricação alemã. Estes são faturados pelos preços dos mercados internacionais, e os nossos são aceitos por preços muito superiores aos vigentes. Negócio que seria vantajoso para o país, se não encobrisse manobras de graves conseqüências. O arame farpado (p/campos de concentração) cotado pelo preço de mercado era trocado pelo fumo alemão a título de permuta, com uma majoração de 28,6% sobre as ofertas normais. Essa margem de lucro permite ao beneficiado fazer concorrência simultaneamente aos compradores de fumo e importadores de arame, sendo estendido a todos os negócios que interessam à Alemanha e ameaça de ruína o comércio que vem sofrendo a concorrência desleal dos que se encontram ao serviço do regime alemão”.

Rádio Alemã de Ondas Curtas

Cartas eram enviadas pela “Reichs – Rundiunk” Rádio Alemã de Ondas Curtas, ouvida pelos conterrâneos, onde havia um “Programa do Brasil” impresso, enviado pelo correio ou através do consulado, àqueles que o solicitavam, além de mensagens de aniversário e outras respostas a cartas remetidas pelos teuto-brasileiros à emissora em Berlim. Havia no Brasil na época 800 mil alemães, sendo 30 mil natos e 1120 escolas alemãs ensinando na língua “materna” como diziam, ou da pátria mãe. As declarações do Kohen Von Cossel em carta escrita em 7 de setembro de 1935, além disto, dizia que dois mil alemães eram partidários do PNSA (Partido Nacional Socialista Alemão) de Hitler. Esta pesquisa que era enviada ao Brasil (1932/39) em resposta às cartas dos ouvintes revela a intenção de saber onde havia postos de comunicação (telégrafo e rádios) e localizá-los com precisão.

Sobre o PNSA

É preciso deixar claro que este partido nacionalista de Hitler não tinha nada de socialista em sua ideologia e o termo servia apenas para fazê-lo chegar ao poder, e para a propaganda nazista atrair as massas de proletários alemães que estavam se organizando com os comunistas internacionalistas soviéticos.

Segundo Wilhelm Reich em seu livro “Psicologia de Massas do Fascismo” citando um trecho da tese de Hitler no congresso do PNSA, em Stettin - Hugenberg, sobre a necessidade de um “capitalismo nacional”:

“Estou convencido de que os banqueiros internacionais compreenderão em breve que a Alemanha será um lugar seguro para investir, com uma taxa de juros de 3% para os créditos”. Adolf Hitler


 

 

 


 

 


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