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por
Alexandre Costa
A
comunidade jurídica lotou o auditório do ForoCentral
de Porto Alegre, na tarde de segunda-feira, do dia 8/12, para
a palestra de Dalmo Dallari. Juízes, advogados funcionários
da justiça e operadores do direito de uma forma geral
se acotovelaram para ver e ouvir o jurista.
Durante a palestra sobre a independência judicial, Dallari
afirmou que "a independência dos juízes
não interessa apenas aos magistrados, interessa a todos,
interessa também a cada um de nós como cidadão".
Em um momento do evento, o jurista lembrou Antoine Garapon:
"O juízo político decide, o juiz julga".
Para Dallari, ao contrário do julgamento, a decisão
política leva em conta a vontade, é um querer,
segundo ele. "O político, muitas vezes, não
tolera o juiz independente. Certas atitudes, como a do ministro
Gilmar Mendes são políticas, pois ele não
age como juiz, não leva em conta padrões jurídicos.
É necessário agir por motivos que estão
nos autos."
Dallari fez um apanhado histórico do processo de independência
(citando desde Salomão, monarquia, revolução
francesa) que considera uma conquista social e patrimônio
da humanidade que a partir dos anos 20 começa a se
ampliar enfrenta as ditaduras e se efetiva no processo democrático
constituinte.
Dallari defende que a comunidade jurídica possa participar
do processo de escolha dos Ministros do STF votando, por exemplo,
em uma lista tríplice que depois o Presidente da república
escolha dentre estes e faça a nomeação.
Denuncia
também que os índios brasileiros em Roraima
estão sendo doados para os japoneses o que representa
uma forma de extinção cultural.

Dallari
diz que Gilmar Mendes
não tem isenção para julgar
O
jurista Dalmo Dallari apontou o ministro da Defesa, Nelson
Jobim, como um dos principais articuladores do processo de
resistência à demarcação em área
contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol
- homologada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Dallari afirmou ainda que o presidente do STF, Gilmar
Mendes, não deveria participar do julgamento dessa
questão, previsto para o dia 27, porque “não
será um juiz isento”. Lembrou também que
Jobim já atuou como advogado em duas ações
contra demarcações de terras indígenas
em Roraima e no Pará e perdeu no STF, nas duas disputas.
Mais tarde, como ministro da Justiça do governo de
Fernando Henrique Cardoso, ele voltou à questão
ao tentar reverter demarcações por meio de um
decreto presidencial.
“Ele
quis obter por meio do decreto o que não conseguiu
nos tribunais”, disse o jurista, professor emérito
da USP e ex-diretor da Faculdade do Largo São Francisco.
“Nós dissemos que não poderia mudar por
decreto uma decisão do Supremo.” Dallari recordou
que o assessor do Jobim na época do decreto foi o então
advogado-geral da União e atual presidente do STF,
Gilmar Mendes.
Dallari critica indicação de
Mendes em artigo da Folha
No
dia em esteve em Porto Alegre, o jornal Folha de São
Paulo publicava artigo do jurista Dalmo Dallari (foto), advogado
e professor de Direito na Universidade de São Paulo
(USP). Dallari criticou duramente a indicação,
pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, de
Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns
trechos do artigo, intitulado
“Degradação
do Judiciário”:
“(...)
O presidente da República, com afoiteza e imprudência
muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação
para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada
verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo
federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público,
à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade
jurídica. Se essa indicação vier a ser
aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar
que estarão correndo sério risco a proteção
dos direitos no Brasil, o combate à corrupção
e a própria normalidade constitucional”.
“Segundo
vem sendo divulgado por vários órgãos
da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação
para anular o STF, tornando-o completamente submisso ao atual
chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu
mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação,
agora concretizada, do atual advogado-geral da União,
Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente
da República, para a próxima vaga na Suprema
Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois
a indicação foi noticiada antes que se formalizasse
a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de
preencher os requisitos necessários para que alguém
seja membro da mais alta corte do país”.
“É
importante assinalar que aquele alto funcionário do
Executivo especializou-se em inventar soluções
jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor
muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se
notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo
Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence
ao Ministério Público da União, aparece
assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na
tentativa de anular a demarcação de áreas
indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes
negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica,
que serviu de base para um decreto do presidente Fernando
Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações.
Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado
no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos
da administração que não cumprissem decisões
judiciais”.
Fotos
Dagmar Camargo
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