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reportagem
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A
tortura era um instrumento da democracia dos militares brasileiros
que deram o golpe nas instituições em 1964 e
derrubaram o governo legítimo de João Goulart.
O Brasil é dos paises que subscreveu a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, parte da carta constitutiva
das Nações Unidas. Foi uma das conseqüências
da reação mundial aos horrores e barbáries
do nazi-fascismo derrotado na Segunda Grande Guerra Mundial.
Assinada em 1948, dois anos após a fundação
da ONU, a declaração considera a tortura crime.
A atual constituição brasileira considera-a
crime inafiançável.
Era a resposta do chamado mundo livre ao holocausto de judeus,
negros, homossexuais e não arianos nos campos de concentração
de Adolf Hitler. A tentativa de banir das práticas
governamentais a mais cruel e perversa forma de violência
contra o ser humano, a tortura. Cruel e perversa porque entre
outras coisas, contra alguém indefeso. A prática
covarde que transforma o suposto patriotismo em "último
refúgio dos canalhas", como afirmou o pensador
e parlamentar inglês Samuel Johnson.
No Brasil foi prática comum nos governos militares,
principalmente depois do Ato Institucional nº 5, que
suprimiu todas as formas de garantias constitucionais e assegurou
aos ditadores o direito de por e dispor sobre a vida de qualquer
cidadão. Presos políticos eram torturados e
assassinados nos quartéis de uma organização
chamada DOI/CODI formada para garantir o Estado terrorista
dos militares e que envolvia todo o aparelho repressivo federal
e estadual.
A lei que ficou conhecida como Lei Fleury foi instituída
no período ditatorial para beneficiar um delegado da
Polícia de São Paulo especialista em tortura
e assassinatos de opositores da ditadura, mas ao mesmo tempo
ligado ao crime organizado em suas várias faces.
Fleury, depois de prestar serviços incontáveis
ao regime dos generais. Inclusive a cilada que matou Carlos
Marighela, acabou morrendo também em circunstâncias
misteriosas, pois sabia demais e começou a valer-se
de sua "sabedoria" para obter vantagens. Imaginou-se
imprescindível ao grupo de militares que tomou o poder
e transformou o Brasil por vinte anos numa imensa noite de
horrores. Pouco ainda se sabe dessa história se levarmos
em conta todo o período ditatorial e suas características
que incluíam a censura à imprensa, o que impedia
o cidadão comum de tomar conhecimento da estupidez
dos militares.
O
jornalista Wladimir Herzog foi "convidado" a prestar
esclarecimentos ao DOI/CODI em São Paulo. Compareceu
espontaneamente ao Departamento e à noite foi divulgada
a versão que havia se suicidado. Uma sentença
com trânsito em julgado na última instância
do Judiciário, reconheceu que o Estado não garantiu
a vida de Herzog. O crime repercutiu no exterior e acabou
mostrando a verdadeira face da ditadura militar.
Com o advento de regimes semelhantes na esmagadora maioria
dos países sul americanos, chegou-se a criar a Operação
Condor. Governos do Chile, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai,
do Brasil, da Bolívia e do Peru, em estreita colaboração
em suas políticas brutais de repressão a adversários
prendiam, seqüestravam e matavam.
Dentre os mortos algumas figuras de proa na resistência
às ditaduras. Orlando Letelier, ex-ministro do governo
Salvador Allende (Chile). General Carlos Pratts (ex-comandante
do exército chileno e avalista da posse do então
presidente eleito, o mesmo Salvador Allende). Juan José
Torres, general boliviano deposto do governo por um golpe
de estado. Centenas de militantes políticos, muitos
dos quais desaparecidos até hoje no silêncio
imposto pelos militares em canhestras leis de anistia, principalmente
no Brasil, onde figuras hediondas como o coronel Brilhante
Ulstra e outros notórios torturadores permanecem impunes.
"Você
corta um verso/ Eu escrevo outro. Você me prende vivo/
Eu escapo morto. De repente, olha eu de novo/ Perturbando
a paz Exigindo o troco." (Pesadelo - Maurício
Tapajós e Paulo César Pinheiro)
Uma das características da tortura na Operação
Condor, além da colaboração do aparato
repressivo desses países era a presença de agentes
norte-americanos. Vinham ensinar técnicas de tortura
e um deles, Dan Mitrione, com passagem pelo Brasil, acabou
morto em ação de guerra num esgoto no Uruguai.
Chegou a ser nome de rua no Brasil até que se conhecesse
o alcance e as finalidades de sua presença em países
da América do Sul.
Mitrione, agente da CIA e ligado ao FBI era especialista em
"técnicas de interrogatório", dentre
as quais as lições sobre como usar aparelhos
para obter "confissões" através de
dor, sofrimento, estupros, onde o assassinato acabava sendo
a regra geral de um regime que não diferia em nada
do nazismo hitlerista.
Outra característica da violência comandada por
regimes ditatoriais era a absoluta submissão dos militares
aos Estados Unidos. As ditaduras eram comandadas de perto
por Washington e serviam aos interesses daquele país
em tempos de guerra fria. Não foram produto da indignação
ou da vocação democrática de ditadores
fardados. Mas missão determinada pelos reais comandantes
das forças armadas latino americanas. Os do norte.
Muitos dos presos pelos torturadores militares/policiais eram
encontrados ou em aparelhos de repressão do DOPS, DOI/CODI,
ou jogados às ruas na madrugada e dados como atropelados
Se no Chile e na Argentina (onde os militares jogavam presos
políticos em alto mar e seqüestravam seus filhos)
os torturadores foram levados à barra dos tribunais
e o próprio general Pinochet, ditador chileno, foi
preso e condenado por tribunais internacionais e em seu país,
no Brasil continuam impunes e arrotando patriotismo.
Abrir os arquivos da ditadura brasileira é fundamental
para se possa dar aos jovens acima de tudo o conhecimento
de um período sombrio e em que a covardia foi a bandeira
de sucessivos governos de marechais e generais. Até
a morte de ex-presidentes como Juscelino Kubitschek e João
Goulart aconteceram em situações suspeitas.
O ex-governador Leonel Brizola, um dos alvos dos militares
da Operação Condor saiu do Uruguai às
pressas sob a proteção do então presidente
dos EUA Jimmy Carter (registre-se que Carter iniciou uma política
de direitos humanos contrário às ditaduras e
acabou não sendo reeleito).
A resistência dos militares brasileiros a abertura dos
arquivos da ditadura contando desde a história dos
aparelhos de tortura, da Operação Condor e da
guerrilha do Araguaia é outra página sombria.
Hoje, o governo do presidente terrorista dos Estados Unidos,
George Bush legitimou as mesmas práticas na versão
contemporânea do IV Reich. Prisões no Iraque,
no Afeganistão, navios prisões e o campo de
concentração de Guantánamo, onde supostos
"terroristas" são mantidos presos e submetidos
a toda a sorte de tortura e humilhações, sem
qualquer direito. E mantém a mesma política
de cooptação de militares latino-americanos,
caso do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia,
na prática, intérprete de interesses dos EUA
das grandes empresas internacionais em nosso País (foram
empresas como a Mercedes, a Super Gás Braz, grupos
jornalísticos como o que detém o controle da
FOLHA DE SÃO PAULO, que financiaram operações
específicas de tortura, como a OBAN (Operação
Bandeirantes).
A
charge de Latuf mostra Bush dizendo aos carrascos do nazi-fascismo
norte-americano que "para mim tudo legal". Iraquianos,
afegãos, colombianos, povos oprimidos no mundo inteiro
são tratados assim pelo governo do IV Reich
O artigo V da Declaração Universal
dos Direitos Humanos diz, textualmente, o seguinte:
"Ninguém será submetido à tortura,
nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante".
VERBO LUTAR soma-se hoje à luta de todos os brasileiros
empenhados para que sejam abertos os arquivos da ditadura
militar e punidos os torturadores.

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