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cinema
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Na
tela, vemos homens e mulheres simples, pequenos agricultores,
do interior cearense, e também especialistas, professores
universitários, estudiosos da problemática ecológica
e engajados na mesma luta. A alteração dos rumos
de um rio, cantado em prosa e verso, tem que ser evitada.
É a mensagem do documentário “Transposição
do Rio São Francisco e As Águas do Ceará”,
assistido por 20 pessoas na Sala Redenção.
O tema tem maior amplitude do que habitantes de outras regiões
do país podem imaginar. Basta citar que o filme foi
realizado pela Frente Cearense por uma nova Cultura de Água.
No estado que deu ao Brasil o compositor Belchior, a apropriação
privada dos mananciais já está em curso. Lá,
98% dos viveiros de Camarão, por exemplo, não
fazem qualquer tratamento.
Toda a lógica do modelo de desenvolvimento volta as
águas para o agronegócio e a indústria
segundo os depoimentos de diferentes fontes, exceção
do ex-governador e ex-ministro, Ciro Gomes. No Rio São
Francisco, há grandes hidrelétricas, ao invés
de várias pequenas, “o que poderia aumentar a
eficácia. Rochas de cristais são um outro fator
a levar em conta. Certo é que o rio não passará
pelas áreas mais secas do sertão, beneficiando
o agro e o hidronegócio. Até o Banco Mundial,
que estimulou o uso de agrotóxicos, se negou a financiar
a obra”, denunciou a médica sanitarista e ambientalista,
Maria Nazaré Melo, no debate que se seguiu à
exibição, organizada em parceria pela Dist e
a Liga de Direitos Humanos da UFRGS.
Nazaré, que impetrou ação pública
contra a transposição, citou e mostrou livros
com textos de especialistas, que argumentam: “A transposição
não fere só o princípio da preservação
ambiental, mas também os preceitos constitucionais
da eficiência e da razoabilidade”. A médica
acrescentou que a provável inviabilidade fica expressa
na intenção de bombear a água a mais
de 180 metros de altura.
O professor Paulo Brack, biólogo, doutor em Ecologia
e Recursos Naturais, pela Universidade Federal de São
Carlos e professor do Instituto de Biociências da UFRGS
afirmou que projetos como os das hidrelétricas gigantescas
devem ser revistas. “A de Barra Grande, no Rio Grande
do Sul, deslocou mais de mil e quinhentas famílias.
Nos próximos 10 anos, grandes obras tirarão
do local de moradia mais de 100 mil pessoas, com financiamento
do BNDES para destruir a vida e a sustentabilidade”,
sentenciou. Segundo o especialista, a Natureza está
chegando ao limite do esgotamento, e se tornou vital preservar
projetos agroecológicos e alternativos. Neste sentido,
“o próximo Fórum Social Mundial deve ter
fortíssimas mobilizações. É preciso
um novo modelo de desenvolvimento, que não conduza
ao esgotamento dos mananciais. O Brasil possui, ilustrando
esta possibilidade, 3 mil espécies de frutas nativas
para serem exploradas”.
Colocam-se desta maneira as concepções que se
confrontam na batalha pelos rumos do “Velho Chico”.
Para citar o verdadeiro Hino adotado pela Frente Cearense
por uma nova Cultura de Água, o “santo rio de
um povo em sua saga secular”. Povo que já percebe
serem a poluição dos mananciais próximos
e a falta do líquido imprescindível para a vida
faces de uma mesma moeda.

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