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A Verdade Inconveniente exige ir à raiz


cinema

 

 

 

por Marcelo Dorneles Coelho

Se uma parte da Groenlândia e outra da Antártica derreterem, a subida de nível dos oceanos será suficiente para provocar a necessidade de deslocamento de aproximadamente 100 milhões de pessoas. Na China, na Índia e nos Estados Unidos.
Para onde esta população, que corresponde a mais da metade dos habitantes do Brasil, se deslocaria em um período muito curto? Este é talvez o momento mais impactante do Documentário “Verdade Inconveniente”, onde o ex-vice-presidente norte-americano, Al Gore, apresenta o que aprendeu com os cientistas sobre o fenômeno do aquecimento global, diretamente relacionado à poluição provocada pelas grandes indústrias, e demonstrado por várias análises, sistematizadas com inteligência pelo líder político.

O documentário de Davis Guggenhein, assistido por aproximadamente 40 pessoas na Sala Redenção da UFRGS, em promoção da DIST Brasil e da Liga de Direitos Humanos da Universidade, é marcante pela boa montagem, pela colocação artística de idéias importantes no momento final dos créditos, mas não mascara a intenção de Al Gore quanto a uma promoção pessoal. E bem ao estilo dos homens públicos da América do Norte, à medida que até um terrível acontecimento familiar fica revelado, lembrado pelo ex-candidato democrata à presidência da maior potência do planeta.

Após a exibição do filme, o palestrante Rodrigo Cunha, biólogo e mestre em ciências, manifestou dúvidas sobre a possibilidade de reverter os efeitos da emissão de gases poluentes, pelos quais os EUA são os maiores responsáveis (Gore não escamoteia este dado, lembrando que com a Austrália, seu país foi um dos únicos a não assinar o Protocolo que comprometeria as nações desenvolvidas ou não a reduzir aquele processo), sem que se vá à raiz do problema. “Com o modo de vida atual do capitalismo, principalmente o consumismo, não existe o que fazer”, afirmou.

As intervenções da platéia se deram no mesmo sentido da posição do especialista. “Os valores precisam começar a mudar pela juventude”, acrescentou Cunha. E não trabalhar mais fortemente esta alteração nas formas de pensar e agir das novas gerações é uma das lacunas das políticas ambientais do Brasil, “ainda extremamente atrasadas”, segundo o biólogo. Como transformações culturais demoram, não há como evitar a reflexão de que elas podem chegar tarde demais. Quando, na Ásia, Xangai e sua região próxima já estiverem submersas, por exemplo.



 

 


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