Quando a lua iluminará a
paz no Oriente Médio?


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Enquanto uma família palestina prepara uma refeição, na Cisjordânia, (“The Last Supper significa “O Ùltimo Jantar”.....) o barulho de uma máquina – semelhante ao de uma metralhadora – é ensurdecedor. À volta das casas da fronteira, Israel constrói desde 2002 (O documentário foi produzido em 2005) um muro de mais de 700 quilômetros de extensão, “para conter o terrorismo”, segundo explicação oficial. Alegação que, já em 2004, a Corte Internacional de Justiça da ONU recusou, determinando a interrupção do processo, não aceita pelos governantes do país do Oriente Médio. O que vemos no filme de meia-hora são depoimentos dos moradores palestinos da área cercada, refletindo sobre os efeitos do concreto em seu cotidiano e a falta de futuro para a sua nação.

Um dos momentos mais simples e ao mesmo tempo estimulantes para a reflexão é quando um cidadão da Palestina que manobra a máquina para erguer a muralha depõe, explicando que se sente tão mal quanto oshabitantes da área cercada, mas que não conseguiu outro emprego na região dominada pelos israelenses. Ao final, um menino fala de caramelos coloridos e sai com a mãe para ver a beleza da lua sobre as terras de tanto valor para ambos os povos. Quando ela iluminará a paz entre as nações que ali vivem?


Segundo o advogado e presidente do Centro Cultural Árabe-Palestino no Rio Grande do Sul, Nader Baja, que saiu da Palestina há 28 anos, uma situação absolutamente pacífica ainda está distante. Recorrendo a obras que levou para sustentar sua argumentação para um público de pouco mais de 10 pessoas, na Sala Redenção, lembrou que a idéia de um Estado para os judeus começou a ser sistematizada em meados do Século XIX, entre os intelectuais daquela etnia. O sionismo ganhou sistematização em 1896, com Theodor Herzl.

Em novembro de 1917, o Império Britânico declarou que via com bons olhos a criação do Estado Judeu na Palestina, visada desde 1912, aproximadamente, “desde que aceita pelos não-judeus”. E no período entre-guerras, com radicalização após o segundo grande conflito mundial, começa a verdadeira judaização da área. Baja não precisou citar historiadores independentes para denunciar os massacres raciais contra os árabes e a expulsão de quatro milhões de palestinos ao longo de décadas; citou o próprio ex-primeiro ministro de Israel, Menahen Begin, que, aliás, segundo investigações, ao longo dos anos 40 também praticou o terrorismo, comandando uma organização chamada Irgun.

E assim, os israelenses, que segundo a resolução da ONU do final daquela década, deveriam ter ficado com 56,5% da área, deixando a quantidade de terras restantes para a Palestina, dominaram quase 80% da região, vencendo guerras contra os países Árabes, graças à sua consolidação como potência militar. Processo vinculado ao atendimento de interesses do complexo industrial-militar dos Estados Unidos, o maior apoiador daquele país.

Baja complementou, respondendo às perguntas, que mesmo acordos como aquele patrocinado pela gestão Bill Clinton, na América do Norte, no começo da década de 90, não foram respeitados por Israel. “A falta de concessões e de mecanismos adequados para que as resoluções dos organismos internacionais e dos acordos sejam cumpridas é um fato. Só uma grande conferência internacional pode obrigar os sionistas a pararem com sua política expansionista e racista”, concluiu o advogado. Acontecimentos que ainda exigem mais revelações, como a recente ofensiva da Faixa de Gaza, talvez possam levar à compreensão mundial de que, se a humanidade não tem o direito de esquecer ou negar a barbárie nazista contra os judeus, também não deve fechar os olhos para a opressão feroz imposta sobre os palestinos. Os grupos sectários provavelmente se enfraquecerão caso as lideranças políticas israelenses revejam diretrizes como o de que a população de origem árabe não pode ultrapassar 1/3 dos habitantes naquele território.