Justiça uruguaia condena 8 ex-militares que atuaram na Operação Condor


notícias

 
Montevidéu, 28 mar (EFE).- A Justiça uruguaia condenou, na sexta-feira à noite, oito ex-militares e policiais a penas de entre 20 e 25 anos pelo assassinato de 28 pessoas dentro da Operação Condor, colocada em prática nos anos 70 pelas ditaduras da América do Sul para reprimir opositores políticos. Esta é a primeira condenação em primeira instância emitida no Uruguai em um caso de violação aos direitos humanos de processados e presos em setembro de 2006 pelos fatos ocorridos em 1976, três anos depois que a ditadura começou a vigorar no país (1973-1985).

Os condenados pelo juiz Luis Charles são os ex-militares José Nino Gavazzo, Ricardo Arab, Jorge Silveira, Ernesto Ramas e Gilberto Vázquez, que receberam 25 anos de prisão por 28 crimes de "homicídio muito especialmente agravados".O também ex-militar Luis Maurente e os ex-policiais Ricardo Medina e José Sande Lima pegaram 20 anos de prisão pelo mesmo delito, mas, nesse caso, foi aplicada uma redução pela participação menor nos fatos, segundo a sentença, divulgada hoje pela imprensa uruguaia.

O caso diz respeito ao desaparecimento e morte de dissidentes políticos uruguaios que tinham se refugiado em Buenos Aires e que foram assassinados ali ou transferidos à força a Montevidéu por soldados militares e policiais que participavam da Operação Condor.Na resolução notificada pelo juiz Charles foi desprezada a tipificação de "desaparecimento forçado", reivindicada pela promotora do caso, Mirtha Guianze, especializada em violações aos direitos humanos ocorridos durante a ditadura.

A sentença foi centrada no crime de "homicídio muito especialmente agravado".A defesa dos réus informou que recorrerá da decisão no Tribunal de Apelações Penal.A promotora do caso também afirmou que apelará da sentença, para que seja incluído na mesma o delito de "desaparecimento forçado". EFE