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por Marcelo Dorneles Coelho
Realizado em diferentes sindicatos, o seminário, entre
sábado e segunda-feira, propiciou à professora
adjunta da Universidade Federal de Alagoas uma defesa da linha
argumentativa de Mészáros. "As experiências
da social-democracia, em países altamente desenvolvidos,
e das sociedades pós-revolucionárias, mostram
que há impossibilidade de controlar o capital. Só
sua mistificação pode apontá-lo como
'produtivo', 'gerador de riqueza'. Não há capital
sem trabalho, sem trabalhador assalariado. O conflito com
ele, reduzido à esfera da distribuição
da riqueza, acaba preservando sua estrutura, que é
a fonte de exploração", disse Cristina.
A luta socialista "precisaria articular uma nova forma
de produção de fato" e a distribuição
do que é feito para satisfazer as necessidades humanas.
Lembrando que o sistema não dispensa formas arcaicas
de produção, quando convém, citando o
trabalho infantil em alguns países, a professora colocou
que a subordinação de tudo ao capital impõe
permanentemente a alienação. "A forma de
exploração, que gera salário e lucro,
precisa ser abolida. O capital, para manter sua lógica,
aniquila os indivíduos, dispensando sua força
de trabalho e destrói tanto riquezas quanto a Natureza.
Por outro lado, já há setores empresariais dispensando
o capital morto, as máquinas, para empregar força
de trabalho. Por quê? Porque ela gera maior lucro",
acrescentou.

Para Cristina, o capitalismo é a forma de organização
social mais totalitária da História, pela necessidade
de expansão. O sistema "não tem controle
sobre suas contradições, mas já existem
meios para a integração de produção
e controle da riqueza, eliminando as forças externas
que oprimem, que subordinam a mão humana. A alienação,
o valor por si, o ter sobre o ser, possui força material
contra todas as vidas. A constituição das classes
trabalhadoras como sujeito histórico é o desafio",
sintetizou.
A liberdade na esfera política ocultaria a desigualdade
na economia. Segundo a professora, Mèszáros
reconhece a "autonomia relativa" do Estado, mas
considera que ele não altera sua essência pró-classe
dominante, ordenando o rumo nos conflitos entre os setores
capitalistas. "O Estado usa violência diretamente
proporcional à ameaça contra a propriedade privada
dos meios de produção", o que ainda daria
à Teoria Social de Marx o estatuto de mais atualizada
para entender o mundo contemporâneo.
E se o capital passou a servir à tecnoburocracia na
Ex-URSS e seus satélites, a desconstituição
dele como relação social mostrou-se muito mais
difícil do que os teóricos do Socialismo imaginavam.
A libertação da mulher se insere neste contexto
extremamente complexo, "mas não pode ser realizada
plenamente no capitalismo. Mészàros, embora
não tenha a questão como tema central, explica
como esta é uma limitação estrutural
do regime", afirmou a professora, que abriu espaços
para as representantes dos movimentos sociais apresentarem
suas experiências.
"A divisão das tarefas acaba se reproduzindo.
Eles cuidam das decisões políticas; nós
da educação das crianças e da organização
da estrutura dos movimentos", revelaram as mulheres,
maioria dos quase 30 participantes dos três dias de
seminário, em seus depoimentos. Não raramente,
os homens das famílias lhes censuram ações
de maior independência. As observações
vieram ao encontro do que defendeu a palestrante. Ela citou
um conhecido e bonito trecho da obra de Frederich Engels sobre
o que representará para os gêneros estabelecerem
relacionamentos em uma sociedade mais evoluída. O capitalismo
teria a tendência a preservar a mulher como mão-de-obra
mais barata, reproduzindo valores decisivos para preservar
a opressão contra ela também na esfera privada,
com a imposição do trabalho doméstico
e a sujeição aos ditames masculinos. Um momento
sempre importante para refletir como as idéias dominantes
se refletem no cotidiano.

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