CRISE DO CAPITALISMO

Capitalismo: o sistema mais
totalitário da História



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Por Alexandre Costa


O capitalismo, sistema social vigente no mundo contemporâneo, é responsável por uma série de contribuições significativas para os avanços da humanidade, principalmente relacionados ao desenvolvimento e às novas tecnologias. No entanto, a perversidade deste sistema está nos deixado uma herança de destruição, desumanidade e desigualdades sociais.



A afirmação é sustentada por dados, como o de que um quinto da população mundial vive em condições humanas deploráveis, um verdadeiro exército formado por famintos que sobrevivem na miséria absoluta. Ou seja: uma parcela significativa da população mundial, cerca de 2,8 bilhões de pessoas, de um total de aproximadamente 6 bilhões, vive com menos de dois dólares diários. Como a pobreza está intimamente relacionada à distribuição de renda, o capitalismo demonstra ser assustador. A renda média nos 20 países mais ricos é 37 vezes maior do que nos 20 países mais pobres e o prior é que esta diferença acentuada só cresce e duplicou nos últimos 40 anos.

Outro dado alarmante é de que 1% da população possui 40% da riqueza mundial, e que, deste percentual dos ricos, 64,3% estão concentrados nos EUA e no Japão. Todas estas afirmações foram feitas pela professora Cristina Paniago, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, graduada em Ciências Econômicas pela PUC de São Paulo, com mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco. Ela esteve em Porto Alegre nos dias 29, 30 e 31 de maio e 1º de junho, ministrando curso promovido pela ONG Democracia, Inclusão Social e Trabalho (DistBrasil) e o Grupo de Pesquisa e Organização e Práxis Libertadora da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O evento teve apoio do Núcleo de Economia Alternativa e Liga de Direitos Humanos, ambos da UFRGS. Durante o encontro, foram abordados diversos temas, entre eles “Estado Capitalista”, “Alternativas de controle sobre o capital: controle social e cooperativas” e “Igualdade Substantiva Feminina”. Nos quatro dias que esteve na capital gaúcha, Cristina Paniago expôs o pensamento de István Mészáros a lideranças de movimentos sociais do Rio Grande do Sul. O seminário contou com a presença de representantes de entidades, tais como o Movimento dos Sem Terra, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), entre outros.

Para Cristina Paniago, “é preciso encontrar soluções para a crise com o máximo de urgência no tempo, visando criar alternativas a este modelo que tem como base o capital, e que tem sido uma força predominante nos últimos cinco séculos da história da humanidade”.


Quem é Mészáros


Marxista obstinado, István Mészáros defende que a única alternativa à barbárie é o socialismo. Autor do clássico "Para além do capital", Mészáros conquistou respeito através dos seus escritos em todos os continentes. Além do prêmio "Attila József" por seu estudo sobre Vörösmarty, em 1970, Mészáros também recebeu o prêmio Memorial Isaac Deutscher por "Marx: a teoria da alienação", e, em 1992 e 2005, o prêmio "Lukács", na Hungria. Em 1995, ele foi eleito membro da Academia Húngara de Ciências, e em fevereiro de 2006 recebeu o título de Pesquisador Emérito da Academia de Ciências Cubana.


István Mészáros nasceu em Budapeste no dia 19 de dezembro de 1930. Estudou no Liceu Clássico e começou a trabalhar aos 12 anos, primeiro como operário numa fábrica de aviões de carga e depois em vários outros empregos, até terminar a escola. Em 1949, graças a uma bolsa e por ter se formado com notas máximas, entrou para a Universidade de Budapeste como membro do Eötvös Collégium, a Escola Normal Superior húngara, de onde quase é expulso seis meses depois por ter defendido publicamente Georg Lukács. Foi salvo pela congregação da escola, que rejeitou a moção de expulsão proposta pelo diretor, e graduou-se em Filosofia, com honras.

Obras

"Satire and reality" (1955); "La rivolta degli intelletuali in Ungheria" (1958); "Attila József e l'arte moderna" (1964); "Marx's theory of alienation" (1970) [ed. bras.: "A teoria da alienação em Marx", 2006 (1)]; "Aspects of history and class consciousness" (1971); "The necessity of social control" (1971); "Lukács' concept of dialectic" (1972); "Neocolonial identity and counter-consciousness: essays in cultural decolonization" (1978); "The work of Sartre: search for freedom" (1979); "Philosophy, ideology and social science" (1986); "The power of ideology" (1989) [ed. bras.: "O poder da ideologia", 2004]; "Beyond capital" (1995) [ed.. bras.: "Para além do capital", 2002]; "Socialism or barbarism: from the "American century" to the crossroads" (2001) [ed. bras.: "O século XXI: socialismo ou barbárie?", 2003]; e "A educação para além do capital" (2) (2005).


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