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Quem manda no capitalismo contemporâneo



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Por Marcelo Dorneles Coelho

Aproximadamente 40 pessoas compareceram ao Cine-Debate promovido pela DIST, em parceria com a Liga de Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Sala Redenção, para ver um documentário inquietante. “A Corporação”, dos diretores Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan, em sua primeira parte, mostra um pouco dos princípios e das ações dos grandes grupos que mandam no capitalismo contemporâneo. E que muitas vezes os direitos humanos passam longe da lógica do capital.



Na Nigéria, por exemplo, ativistas pela causa ecológica foram enforcados por denunciar a poluição causada por uma multinacional. Ao longo do documentário, aliás, vemos executivos externando como se deram conta da maneira nociva através da qual o sistema transforma a Natureza. São analisados também os mecanismos da propaganda e o processo histórico que levou ao surgimento das corporações.

Aparecem personalidades identificadas com a esquerda norte-americana, como o grande mestre da Lingüística, Noam Chomsky, e o cineasta Michael Moore. Os diretores colocam os defeitos destas empresas típicas da era do imperialismo dos Estados Unidos, de modo “psicanalítico”, embora não faltem depoimentos que exemplifiquem a extração da mais-valia, denunciada pelo velho Marx, no Século XIX. Preste-se atenção na remuneração de centavos que cada trabalhador de um país do terceiro mundo recebe ao produzir uma roupa que custa mais de 100 dólares.

O psicólogo e diretor de comunicação do sindicato de sua categoria, Fernando Lunkes, abordou – como era de se esperar por sua profissão – aspectos relativos à identificação “de desejos já existentes e a criação de novos”. Ressaltando que o desejo de lucro parte dos homens que comandam as corporações e não delas, em sua dimensão objetiva, propôs o questionamento sobre o “ter” constituir a necessidade mais forte do Homem. “O centro do ser humano seria seu próprio umbigo?”, perguntou.

Se as formas de agir de uma civilização delineiam sua ética, qual a moral das pessoas que conduzem as corporações? Qual o caminho para combater ou evitar a tirania delas? Como se constroem os valores dominantes? Seria viável quebrar a relação entre dinheiro e poder? A Responsabilidade Social exigida das empresas gigantescas pode consistir em um mero objeto de marketing para mascarar exploração e manipulações. Não faltou de parte do palestrante a lembrança de que uma categoria profissional também se comporta – comumente – de maneira corporativa. A avaliação contextual, mensurando todas as variáveis em jogo, por ocasião de um conflito, não é fácil, reconheceu Lunkes. A inteligência das perguntas do público, sobre distribuição de renda e a presença das corporações na esfera pública, não deixou dúvidas sobre a qualidade do debate que um documentário como o realizado por Bakan, Achbar e Jennifer enseja.




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