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Nesta
edição, selecionamos para os nossos leitorores
uma dica. Trata-se do blog de nada mais nada menos que José
de Sousa Saramago. O endereço é http://blog.josesaramago.org
O escritor, roteirista, jornalista e poeta português
galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura, é polêmico
por natureza. Suas opiniões pessoais sobre religião
ou sobre a luta internacional contra o terrorismo são
discutidas e algumas resultam mesmo em acusações
de diversos setores. Logo após a atribuição
do Prémio Nobel, o Vaticano repudiou a atribuição
da honraria a um "comunista inveterado". O livro
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi adaptado
para o teatro em 2001 e, como peça, também foi
motivo de crítica ferrenha por parte de grupos religiosos
que consideram a obra uma ofensa à Igreja. Estamos
apresentando a seguir, um breve relato da bibliografia e da
vida desta grande personalidade.
"a
viagem do elefante"
Literatura. O novo livro de José de
Sousa Saramago, A Viagem do Elefante, chegou ao fim. Segundo
foi anunciado pela fundação do escritor, a nova
obra de José Saramago está finalmente concluída.
São 240 páginas que levaram dois anos a escrever
e deverão chegar às livrarias no Outono. Uma
pequena parte pode já ser lida na Internet, em http/blog.josesaramago.org.
Em comunicado, a mulher do Prémio
Nobel, Pilar del Río, presidente da Fundação
Saramago, explica o processo conturbado que rodeou a escrita
deste novo livro. "Saramago lançou-se a esta tarefa
quando estava incubando uma doença que tardou meses
a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com
uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida".
O estado debilitado em que o escritor se encontrava na altura
fê-lo mesmo duvidar se algum dia viria terminar o livro.
Todavia, "sete meses depois, Saramago restabelecido e
com novas energias, pôs o ponto final" em A Viagem
do Elefante, contou Pilar del Río.
Esta é a primeira obra de José
Saramago desde que em 2006 editou As Pequenas Memórias,
em que se debruçava sobre recordações
da infância e adolescência. No seu novo livro,
Saramago conta a história de Salomão, um elefante
asiático que no século XVI teve de percorrer
mais de metade da Europa, numa viagem "épica,
prosaica e jovial". A Viagem do Elefante "não
é um livro histórico, embora trate de algo que
está na história", acrescenta Pilar del
Río, adiantando que a nova obra do marido conta com
a intervenção de "personagens que tiveram
vida real e que agora voltam a ter nova ocasião".
O lançamento do livro coincidirá,
assim, com a estreia em Portugal de Cegueira (Blindness),
filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles baseado
na obra do autor português, Ensaio sobre a Cegueira.
O filme chega às salas de cinema a
13 de Novembro, tendo estreado em primeira mão na edição
deste ano do Festival de Cinema de Cannes, protagonizado por
Julianne Moore e Mark Ruffalo.|
"leia o que diz a mulher do Prémio Nobel,
Pilar del Río, presidente da Fundação
Saramago.
José
Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante.
Escrevê-lo
não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se
a esta tarefa quando estava incubando uma doença que
tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se
com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida.
Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse
terminar o livro. Não obstante, sete meses depois,
Saramago, restabelecido e com novas energias, pôs o
ponto final numa narração que a ele não
lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem, ao
mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante
asiático chamado Salomão, que, no século
XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios
teve de percorrer mais de metade da Europa.
A viagem do elefante é um livro coral onde as personagens
entram, saem e se renovam de acordo com as peculiares exigências
narrativas que o autor se impôs e lhes impôs.
O elefante e o seu cornaca têm nome, como outras personagens
que figuram nos manuais de história, embora apareçam
também pessoas anónimas, gente com quem os membros
da caravana se vão cruzando e com quem partilham perplexidades,
esforços, ou a harmoniosa alegria de um tecto depois
de tantas noites dormidas à intempérie.
Apesar de não se tratar de um livro volumoso, andará
pelas 240 páginas, poderemos reconhecer nelas a imaginação
de Saramago, a compaixão solidária, esse sentimento
que, sendo expressado literariamente, é sobretudo humano.
Ele atravessa toda a obra, distingue-a e significa-a. Encontraremos
igualmente o humor que o escritor emprega para salvar-se a
si mesmo e para que o leitor possa penetrar no labirinto de
humanidades em conflito sem ter de abjurar da sua condição
indagadora de humano e leitor. Como sempre, encontrar-nos-emos
com a ironia, o sarcasmo, a beleza em estado puro, a responsabilidade
de escrever, a felicidade de ter escrito.
Saramago oferece-nos um novo livro. Que não é
um livro histórico, embora trate de algo que está
na história, ou, para ser mais rigoroso, na pequena
história, embora intervenham personagens que tiveram
vida real e que agora voltam a ter nova ocasião ao
pôr-se a conviver com outras procedentes da imaginação
do escritor e, todos juntos, habitar as mesmas páginas,
ainda que nem sempre as mesmas peripécias. Quando lerdes
o livro sabereis a que me refiro. A viagem do elefante está
pontuado de acordo com as regras de Saramago, os diálogos
intercalam-se na narração, um todo que o leitor
tem de organizar de acordo com a sua própria respiração.
O leitor, esse ser fundamental que Saramago considera e respeita
e a quem continuamente interpela, seja adiantando-lhe consequências
de certos actos ou recordando-lhe outros, implicando-o no
texto, porque escrever, como ler, não são acções
inocentes, são tentativas para forçar a inteligência
a ir um pouco mais longe, mais além de Viena, de Valladolid
ou de Lisboa, mais além do que éramos ao acordar
de manhã e encontrar-nos com mais um dia pela frente.
Queridas amigas, queridos amigos, com estas linhas apenas
pretendi dar a notícia de que vamos ter um novo livro
de Saramago para incorporar na nossa vida de leitores. Não
vos decepcionará, pelo contrário, ireis lê-lo,
estou certa, com a mesma emoção com que foi
escrito e sobrevooa cada linha, cada palavra. Não é
um livro mais, é o livro que estávamos esperando
e que chegou a bom porto, o leitor. Salomão, o elefante,
não teve tanta sorte, mas disso não falarei,
aguardemos o Outono, e então sim: aí, em vários
idiomas simultaneamente, poderemos comentar páginas,
aventuras, desenlaces. Os materiais da ficção,
que são também os da vida.
A todos, um abraço e felicidades.
Pilar
Vale
a pena
http://blog.josesaramago.org/

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